Ensaio sobre a cegueira

Temos José Saramago no livro Ensaio sobre a cegueira:

“Só digo que apenas servimos para isto, para ouvir, ler a história de uma humanidade que antes de nós existiu, aproveitamos o acaso de haver aqui ainda uns olhos lúcidos, os últimos que restam, se um dia eles se apagarem, não quero nem pensar, então o fio que nos une a essa humanidade partir-se-á, será como se estivéssemos a afastar-nos uns dos outros no espaço, para sempre, e tão cegos eles como nós”.



A perda da visão poética 1

O ofício do poeta ― poema ‘Diariamente’

Lendo o livro Iniciação à Estética de Ariano Suassuna, encontramos lá as palavras de Charles Lalo sobre o que é o ofício, a técnica e a forma na Arte.

“O ofício é a parte material da Arte, a prática tradicional e banal que se ensina aos estreantes e nas oficinas de arte: mecanismo indispensável, mas insuficiente, que é preciso sempre ultrapassar, porque ele é rígido e se revela mal adaptado em cada caso particular”.

“A técnica é o ofício vivo, adaptado... É o ofício transformado, mais verdadeiramente sábio num sentido, mais profundamente intuitivo noutro”.

¿!

Protejam a arte, para que ela não seja atingida pela querelas do momento presente, pois sua pátria encontra-se além de qualquer época. Suas lutas são como as tempestades que trazem as sementes, e suas vitórias assemelham-se à primavera. Suas obras são: sacrifícios não sangrentos ofertados a uma nova aliança.


Rainer Maria Rilke, em O Diário de Florença